segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Estalões de trabalho

BRACO ALEMÃO

O GALOPE. O Braco alemão moderno nasceu há cerca de cinquenta anos. Actualmente é
um galopador médio, a “velocidade não deve procurada a todo o custo mas este cão deve
ser capaz de galopar durante muito tempo com o mesmo andamento, a busca é ampla,
bem aberta, cobrindo muito terreno. A cabeça alta e móvel, e o pescoço bem proeminente dão
a sensação que saltam dos ombros. Os membros posteriores são projectados para trás, bem
afastados, num movimento harmonioso e contínuo; um cão bem constituído galopa facilmente”.
O galope irregular (cão que se desloca com um movimento de pêndulo) resulta frequentemente
de um defeito na constituição (má angulatura ou pescoço demasiado curto) que o obriga, para
manter o equilíbrio, a projectar a cabeça de baixo para cima. Em resumo, tudo o movimento
deve ser equilibrado, agradável e natural.
Na opinião de Alberto Chelini, o Broco Alemão “deve dar a impressão de poder sempre
levantar a cabeça ligeiramente acima mas que não o faz porque ficaria impossibilitado de
realizar o trabalho que lhe é pedido”, e conclui “portanto evitemos os galopes
desenfreados”.
O PORTE DA CABEÇA. O andamento horizontal não é o andamento típico do Braco Alemão
em acção; pelo contrário, o Braco Alemão deve posicionar o pescoço acima horizontal,
com a cabeça elevada.
Através desta posição, ele distingue a caça a grande distância e não pode galopar de uma
maneira demasiado excessiva. Com este andamento, parece ser um cão que domina
perfeitamente a situação: é atenta, com a cabeça móvel, nada lhe pode escapar.
A paragem quando o cão estica o pescoço, baixa a cabeça para a posicionar na horizontal, a
cabeça, o pescoço e o corpo parecem constituir apenas uma linha, este movimento anuncia
frequentemente a eminência da paragem. A posição ideal de um Braco Alemão na paragem é
a posição de pé, com a cabeça elevada, as orelhas atentas, os olhos e as pupilas dilatadas.
Geralmente, um ligeiro tremor agita todo o seu corpo, a cauda ligeiramente levantada e respira
lentamente. Se o condutor estiver distanciado e atrás do cão, este pode virar a cabeça na sua
direcção, de seguida voltar novamente a cabeça em direcção à peça à ordem do condutor.
Dominique Covolo descreve desta forma a detecção da emanação e a paragem. Quando o cão
distingue a caça a grandes distâncias, reduz o andamento para o trote, com as orelhas
levantadas, o pescoço esticado e com os membros ligeiramente flexionados. Quando é
surpreendida pela presença da caça paralisa-se e ao mesmo tempo baixa o corpo, flexionado
os membros; por vezes pára bruscamente como se tivesse ouvido em estalido. Há uma grande
beleza nas suas paragens, mesmo nas poses mais desesperadas”.
É claro que na prática é necessário reconhecer que frequentemente a vegetação, os diferentes
tipos de caça e seus comportamentos provocam atitudes que ficam muito aquém do ideal. Até
há cães que se deitam na paragem.
A Alemanha, dona do destino da raça, admite as duas paragens: com o cão de pé ou deitado.
O DESLIZAR varia de acordo com os exemplares, alguns cães deslizam lentamente, outros
com autoridade. Em todos os casos, o Braco Alemão deve permanecer esticado. No entanto,
se a caça se afastar demasiado, o cão pode segui-la pelo rasto por alguns metros e de
seguida detectar novamente a emanação directa. O cão deve permanecer imóvel, e por vezes
deita-se, no levante da caça.



PERDIGUEIRO PORTUGUÊS

O Perdigueiro Português é um buscador activo, tenaz e apaixonado, que bate o terreno
metodicamente em procura da caça, pondo ao serviço de tal missão todo o seu olfacto e
dispensando à busca toda a tenção.
Trabalha com persistência e habilidade, adaptando-se aos mais variados terrenos e às
diversas condições climáticas. Mantém uma constante ligação com o condutor, revelando-se
pelas suas atitudes e olhares, pela posição da cauda e ainda pela forma como anda, as
impressões sentidas pela sua acuidade olfactiva.
Durante a busca alterna o galope de suspensão simples e o trote largo, fácil, cadenciado,
percorrendo e batendo o terreno com iniciativa mas procurando manter-se em contacto com o
condutor. Dotado de um nariz apurado, normalmente busca de cabeça alta ou no
prolongamento da linha superior do dorso, tomando ventos, mas pode por vezes procurar o
rasto com algum detalhe e minúcia. A cauda movimenta-se, levada na horizontal, como que
marcando o ritmo.
Quando um leve eflúvio lhe desperta a actividade sensorial, diminui gradualmente o andamento
encaminhando-se na direcção de onde foi captado, orelha atenta e cauda em movimentos mais
lentos. Tratando-se de um falso alarme retoma de imediato a busca no andamento inicial, mas
se se apercebe que a peça está próxima, diminui o andamento, orientando-se, cabeça alta e
orelhas em atenção, pescoço bem estendido. Logo que a intensidade de emanações que
recebe o aconselha, pára firme: cabeça imóvel apontando na direcção da peça; olhar fixo;
orelhas na posição de escuta; cauda hirta, mantida na horizontal ou pouco acima; músculos
sob tensão, indiferente ao que se passa em volta.
Quando parado, mal se dá conta que a peça se deslocou apeada, guia espontaneamente em
andamento lento e cauteloso, eventualmente entrecortado por curtas paragens, tentando parar
a peça de novo.
Cobra em terra e na água entregando com facilidade a peça ao condutor, sem a danificar.



POINTER

Todas as faculdades devem convergir num único objectivo: PROCURAR E ENCONTRAR a
caça com ESTILO E PAIXÃO.
A facilidade e elegância soa seus andamentos conferem-lhe um galope alongado, rápido, com
um ritmo constante e deslocações em linhas rectas.
O pescoço deve estar bem saliente em relação aos ombros e esticado.
A CABEÇA é posicionada acima do prolongamento da linha dorsal e a linha do chanfro
ligeiramente levantada.
Com um olhar atento, investiga o terreno de longe para o utilizar com inteligência e exprimir a
sua paixão pela caça.
Os membros anteriores devem procurar apoio sobre o solo o mais para a frete possível. No
salto, estes sobem em direcção À posição horizontal, permitindo assim um passo máximo.
O movimento deve ser amplo, subtil e harmonioso.
De perfil, pode-se ver o tronco oscilar ligeiramente, mas a linha dorsal permanece direita e
esticada, apenas os rins flectem-se para baixo e distendem-se como uma mola enquanto que
os membros posteriores se projectam ao máximo para trás através de um impulso potente.
A CAUDA é posicionada no prolongamento dos rins, nunca acima deste, e no galope rectilíneo
pode oscilar ligeiramente de alto a baixo.
A BUSCA é cruzada com os lances amplos e rectilíneos (em função do terreno) e busca
procurando a caça através das emanações que correm nos ventos.
Nas condições ideias, quando se apercebe de uma emanação, abandona brutalmente a sua
busca para subir rapidamente a emanação com decisão e autoridade e terminar com uma
paragem súbita, brusca, como se tivesse chocado contra uma barreira invisível.
A percepção desta emanação deve traduzir-se através de uma reacção cuja subitaneidade
demonstre a violência.
Nesta paragem brutal e súbita, fica hirto, escultural, com o pescoço esticado, a cabeça no
prolongamento ou acima da linha dorsal, o chanfro na horizontal ou bem erguido, as narinas
dilatadas, o olhar fulgurante, as orelhas levantadas ao máximo, os músculos contraídos e
salientes, tendo um membro anterior frequentemente flectido ou um membro posterior esticado
e muito chegado atrás.
Permanece assim imóvel com uma expressão de segurança absoluta. Se a peço tentar fugir
apeada, ele indica a localização esticando-se ainda mais, levantando o chanfro para não
perder a emanação.
O DESLIZAR ávido, decisivo e dominador, também poderá exprimir-se através de uma
sucessão de paragens bruscas características da raça.
NA PARAGEM POR SIMPATIA, o cão que vê inesperadamente o seu parceiro, se este já
estiver parado e no caso de estarem próximos um do outro, deve parar com a mesma
autoridade (embora numa posição menos esticada); se estiverem distanciados, a “paragem por
simpatia” poderá ser precedida de um breve deslizar.



SETTER INGLÊS

O GALOPE é amplo, suave, elegante, rápido, nem nervoso nem impetuoso, mas fluído e
flexível, rasante e próximo do solo. O dorso permanece horizontal, aparentemente imóvel. A
cauda fica posicionada no prolongamento da coluna vertebral, sem agitar, com tendência a
permanecer baixa, em forma de cimitarra. Nas mudanças de direcção, esta pode funcionar
como pêndulo. Nas mudanças de velocidade, pode variar de altitude e nomeadamente elevarse
nos abrandamentos.
O PORTE DA CABEÇA fica posicionado no prolongamento da linha dorsal ou ligeiramente
acima deste. Nos exemplares que têm um porte de cabeça “em forma de martelo”, este defeito
torna-se inestético, mas pode ser compensado por uma posição excelente do pescoço. A
cabeça é móvel e sempre em busca da emanação, podendo esta característica causar
mudanças durante a busca.
A BUSCA do Setter Inglês é naturalmente cruzada, ampla, permitindo uma exploração subtil
do terreno disponibilizado. O treino permite aumentar a sua amplitude. A busca do Setter Inglês
não é rectilínea nem rígida, serpenteando ligeiramente com facilidade e inteligência nos lances.
A PARAGEM. Assim que o Setter Inglês entra no campo de uma emanação, todo o seu corpo
se baixa e fica ainda mais próximo do solo. Apenas a cabeça e a trufa permanecem elevadas e
acima da vegetação. Seguidamente, retoma o cone da emanação, por vezes através de
passos rápidos e bruscos, o mais directamente possível, abrandando a sua velocidade,
prudente e desconfiado, mas com os músculos contraídos, por uma tensão extrema, como um
felino, tentando através desta acção insidiosa aproximar-se o mais possível da peça de caça.
Se se aperceber da ausência de caça, ele retoma então a sua busca e o seu galope habituais.
Se, pelo contrário, se certificar da presença de caça, abranda cada vez mais e fica petrificado
na paragem, com o focinho expressivo, os olhos brilhantes, a cauda esticada acompanhando a
linha dos rins, mas mais elevada e um pouco mais arqueada que no galope. Se a subida da
emanação for demorada, a paragem pode ser elevada uma vez que a emanação se encontra
muito distante do cão. Pelo contrário, uma emanação mais próxima e súbita provocará uma
paragem muito mais rasante e próxima do solo. A acção felina observa-se particularmente em
terreno descoberto pois o Setter Inglês tem medo de ser visto pela caça. Pelo contrário, com
vento favorável numa vegetação suficientemente desenvolvida, a paragem pode ser efectuada
de pé, com as articulações pouco flectidas.
O DESLIZAR é uma das características da raça. Quando a peça tenta fugir apeada (ou após a
paragem à ordem do condutor), o Setter Inglês segue-a (ou aproximar-se desta) numa acção
excepcional concentrando toda a sua vontade em não perder o contacto a fim de a bloquear,
tal como um felino.
A PARAGEM POR SIMPATIA do Setter Inglês corresponde à imagem da sua personalidade:
fluida, flexível e frequentemente correspondente ao estilo das suas paragens.



EPAGNEUL BRETÃO

ANDAMENTO: alegre, vivo, fulgurante. O galope é enérgico e rolante, numa sucessão rápida
de movimentos robustos. O galope alongado ou desenfreado deve ser interdito.
O PORTE DA CABEÇA: a cabeça deve situar-se numa posição elevada, sem exagero, acima
do prolongamento da linha dorsal, com alinha chanfro-crâneo ligeiramente inclinada. A
cabeça está sempre móvel demonstrando uma segurança e uma flexibilidade olfactiva
constante na busca da caça.
Contudo, em algumas circunstâncias difíceis, poder-se-ão admitir controlos rápidos no solo.
A BUSCA deve ser inteligente, metódica, sem ser mecanizada, demonstrando que o cão caça
“ininterruptamente”, adaptando-se à natureza e à configuração do terreno de forma a
permanecer constantemente em contacto com o seu condutor.
A PARAGEM. Ao detectar a emanação, após um controlo rápido, o cão deve subir as
emanações com bastante autoridade e segurança para bloquear a caça.
A paragem deverá ser de pé, mesmo quando á espontânea; no entanto, para uma paragem de
surpresa, poder-se-á tolerar uma outra atitude se o chanfro ficar bem elevado na direcção da
peça, o que prova que a domina bem.
Independentemente do valor do percurso, a paragem com o cão deitado interdita a atribuição
do C.A.C.T..
O DESLIZAR é efectuado com decisão e prudência para manter o contacto entre o “dono e a
peça” até ao levante desta.
A recusa do cão em deslizar é uma falta grave (excepto no caso de proximidade imediata da
caça).
O COBRO em terra e água deve ser efectuado à ordem, de uma forma alegre e rápida.