terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Regulamento do Campeonato de Portugal de Santo Huberto, (FENCAÇA/FEDECAT/FITASC)

FENCAÇA/FEDECAT/FITASC
REGULAMENTO DO CAMPEONATO DE PORTUGAL DE SANTO
HUBERTO
Artigo 1º
Objectivos
As provas de Santo Huberto para caçador com cão de parar são competições de alto
nível, que visam a promoção e a valorização do espirito desportivo do caçador, através
da correcta utilização dos cães de parar e da observância das adequadas técnicas
cinegéticas.
Artigo 2º
Provas
1 – O Campeonato de Portugal é constituído pelo numero de provas que anualmente for
indicado pela FENCAÇA.
2 – Este Campeonato é composto por uma fase regional de apuramento dos conjuntos
representantes de cada região cinegética para disputa da fase final, que dará origem à
atribuição do titulo de Campeão de Portugal e Vice-Campeão de Portugal.
3 – As provas são disputadas por séries, em numero a indicar pelo Delegado de prova.
4 – Cada prova será objecto de um programa, que indicará local e a hora de
concentração, sorteio e as espécies a abater.
Artigo 3º
Participação
1 – Podem participar todos os caçadores que reunam os seguintes requisitos:
a) Ter nacionalidade Portuguesa.
b) Ser portador da documentação legalmente exigida para a prática do acto
venatório quer para o caçador quer para o cão.
c) Utilizar um cão de caça, de raça de cão de parar, devidamente inscrito no L.O.P.
ou R.I..
d) Efectuar o pagamento da taxa de inscrição.
e) Submeter-se ao disposto no presente regulamento.
2 – Cada caçador deverá participar na fase regional de apuramento da região cinegética,
na qual se insere o concelho da sua residência, constante da carta de caçador que lhe foi
emitida.
3 – Caso se verifique a falta de algum dos requisitos constantes do numero anterior a
sua inscrição e/ou classificação poderá ser suspensa e/ou anulada.
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Artigo 4º
Juizes/Júri
1 – Os juizes terão de estar inscritos no Livro de Registo de Juizes de Santo Huberto da
Fencaça.
2 – Sempre que em cada série existir um número par de juizes, um de entre eles, será
nomeado juiz presidente, que terá voto de qualidade.
3 – No decorrer de cada prova um dos juizes, ou juiz presidente, preencherá uma folha
normalizada para o efeito, onde consta a pontuação de cada concorrente e a assinatura
do juiz ou juizes que a julgaram. No final de cada série as folhas mencionadas deverão
ser entregues ao Delegado de Provas.
4 – Os juizes poderão fazer-se acompanhar por candidatos a juizes.
Artigo 5º
Delegados de provas
1 - A designação do(s) delegado(s) de prova(s) é da competência da Fencaça.
2 – Os Delegados de provas têm por missão:
a) Supervisionar e executar todas as diligências que considere necessárias ao
correcto desenvolvimento das provas e representações oficiais, com o objectivo
de prestigiar prestigiar a modalidade e zelar pelo bom nome da FENCAÇA.
b) Vigiar o cumprimento integral do presente regulamento e suprir eventuais
lacunas que surjam com a sua aplicação.
c) Resolve em primeira instância eventuais reclamações, que deverão ser
apresentadas por escrito e assinadas pelo reclamante.
d) Designar e/ou distribuir os juizes pelas séries r nomear os respectivos juizes
presidentes.
e) Suspender e/ou anular a classificação do concorrente que não preencha os
requisitos constantes do Artigo 3º do presente regulamento.
f) Enviar para a secretaria da FENCAÇA todos os documentos com classificações
e o relatório por ele elaborado referente à prova e à conduta dos concorrentes.
Artigo 6º
Inscrições
1 – Cada concorrente só poderá inscrever-se uma única vez.
2 – No acto de inscrição cada concorrente deverá colocar à disposição do Delegado
de Provas, toda a documentação necessária à sua participação.
3 – A inscrição na prova efectua-se mediante o preenchimento de um boletim
próprio distribuído no próprio dia e local da concentração indicada no programa até
à hora do sorteio, onde deve constar a identificação do concorrente e do cão.
4 – No caso de algum concorrente não se encontrar presente até à hora da realização
do sorteio, poderá participar na prova, sendo inscrito na série que reuna o menor
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numero de concorrentes. Se as séries se encontrarem compostas por igual numero de
concorrentes, será inscrito na primeira série.
Artigo 7º
Sorteio e Apresentação
1 – A ordem de apresentação de cada concorrente dependerá do sorteio efectuado
publicamente.
2 – O sorteio serve apenas para indicar a ordem de saída do concorrente. Efectuado o
mesmo, o concorrente deverá colocar-se à disposição do Delegado de Prova e Júri.
3 – Para a apresentação o concorrente será chamado três vezes, com intervalos de 1
minuto. Os concorrentes que não estiverem presentes até à terceira chamada são
excluídos da prova.
4 – Os concorrentes antes e depois da prova terão de se apresentar ao Júri e seguir as
suas instruções.
Artigo 8º
Duração da prova e percurso
1 - Cada concorrente tem ao seu dispor, um período de 20 (vinte) minutos para a
apresentação e prestação da sua prova.
2 – A Prova poderá ter duração inferior ou superior, por deliberação do Delegado de
Prova e júri, facto que a ocorrer , será comunicado aos concorrentes.
3 – O júri oferece a cada concorrente, sempre que possível, um terreno que lhe permita
efectuar u percurso sem interrupções. Dentro dos limites indicados, cada concorrente
tem o direito de escolher o local onde pretende iniciar o seu percurso.
4 – E caso de descontinuidade de percurso imposto pelas condições do terreno, ou se o
júri considerar que o terreno útil foi completamente explorado antes do final do tempo
de prova, este fará deslocar o concorrente para outro terreno. O tempo despendido na
deslocação não será considerado na duração do tempo de prova.
Artigo 9º
Interrupções do percurso e desclassificações
1 – No caso do concorrente disparar sobre uma peça de caça não autorizada, ou se esta
se encontrar imobilizada, ou a deslocar-se a paço, será desclassificado.
2 – O júri pode interromper o percurso do concorrente e eliminá-lo, se a sua conduta for
perigosa para si ou para os demais.
3 – Em caso de calamidades naturais excepcionais ou de condições atmosféricas que
impeçam a actividade venatória, o percurso e até mesmo a própria prova poderão ser
interrompidos, por deliberação do Delegado de Prova.
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Artigo 10º
Prestação de prova
1 – O concorrente pode realizar quatro disparos, devendo levar consigo seis cartuchos.
2 – Cada conjunto só poderá abater e cobrar no máximo duas espécies das autorizadas.
3 – Se o caçador abater e cobrar as duas peças e lhe sobrarem cartuchos além dos quatro
autorizados, não poderá fazer uso deles mas deverá continuar o seu percurso com a
espingarda carregada, para dar a possibilidade ao júri de avaliar a sua acção de caça.
4 – No caso de o concorrente ter abatido uma peça sem a cobrar, poderá abandonar a
sua busca uma só vez, para tentar abater e guardar as duas peças permitidas. Se depois
desta primeira peça de caça ferida e não recuperada, o concorrente ferir uma segunda
peça, não poderá abater outra sem esta ser recupera. O júri tomará severamente em
conta as referidas peças feridas e não recuperadas.
5 – Se o concorrente disparar sobre uma peça de caça autorizada que não tenha sido
parada pelo cão obterá no máximo, 15 pontos dos atribuídos à conduta do caçador,
devido à falta de desportivismo, além de que, se recuperar a referida peça, não poderá
obter os pontos previstos para tiro de acordo com a grelha de pontuação constante do
Artigo 12º.
6 – Após recupera o cobrar uma peça, o concorrente deverá abrir a espingarda antes de a
entregar ao juiz.
7 – A Arma durante a prova deverá levar-se sempre carregada e fechada.
8 – A arma descarregada e aberta será penalizada com (-5) pontos.
9 – Recomenda-se uma arma de dois canos, mas se o concorrente decidir utilizar uma
arma semi-automática, esta só poderá ser carregada com dois cartuchos.
Artigo 11º
Exclusões
1 – Não são admitidas cadelas em cio, ou gestação avançada, cães ou cadelas
agressivas, ou com doenças contagiosas.
2 – Os cães que tenham efectuado um percurso numa prova não podem ser utilizados
por outro concorrente na mesma prova.
3 – Depois de efectuada a inscrição do conjunto, o mesmo não pode ser alterado, sob
pena deste ser excluído, excepto em casos extremos, como doença súbita, ou qualquer
acidente antes de iniciar a prova
Artigo 12º
Pontuação
Para classificar os conjuntos o júri dispõe de uma pontuação máxima de 100 pontos, a
distribuir da seguinte forma:
- Tiro – (+ 20) pontos:
* 1 peça/1tiro – (+ 10)
* 1 peça/2 tiros – (+5)
* 1 peça falhada – (-5)
* 1 peça abatida e não recuperada – (-10)
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- Conduta – (+50) pontos:
* exactidão e educação – Máx. (+15)
* Segurança e habilidade – Máx. (+20)
* espírito desportivo – Máx. (+15)
- Avaliação do cão – (+30) pontos:
* Ensino – Máx. (+15)
* Qualidades naturais – Máx. (+15)
Artigo 13º
Critérios de avaliação
1 – Com a finalidade de respeitar uma determinada uniformidade de avaliação e com o
objectivo de evidenciar o espírito competitivo e educativo do campeonato serão
respeitadas as seguintes normas:
a) Baseado na capacidade e na conduta do concorrente durante a prova o júri tem à sua
disposição os elementos necessários que lhe permitam atribuir um máximo de 50
pontos.
b) Um máximo de 30 pontos serão distribuídos entre o grau de ensino e qualidades
naturais do cão.
c) O numero de pontos atribuídos às peças abatidas, resulta de uma soma aritmética,
independentemente de qualquer outra ponderação.
2 – As pontuações atribuídas em cada uma das alíneas anteriores não deverão ser
coligadas entre si, antes pelo contrário deverão ser diferenciadas umas das outras.
Valorização do Caçador
3 – A exactidão e educação venatória são condutas do concorrente perante o respeito
pelas normas cinegéticas e ambiente envolvente (caçador ecológico).
É necessário ter em conta as seguintes normas de conduta:
a) O concorrente deverá avaliar em cada momento, as distâncias dos caminhos, por
forma a poder efectuar um correcto exercício venatório e em particular um regular
percurso de competição.
b) O concorrente deverá respeitar os terrenos dos outros, em particular quando o
percurso se efectua junto de terrenos utilizados por outros concorrentes.
c) Levar-se-á em consideração a relação entre caçador e cão, tendo em conta a sua
conduta.
4 – A segurança e habilidade são o respeito pelas normas de segurança durante o
decurso da prova, por forma a evitar possíveis danos ao próprio e aos demais, bem
como o conhecimento técnico no desenrolar do percurso.
É necessário ter em conta as seguintes normas de conduta.
a) Será tomada em consideração a maneira como o concorrente transporta a espingarda
quando se encontra só, perto do júri ou d público da prova
b) Será penalizado se transportar a espingarda em posição de tiro e com o dedo no
gatilho.
c) Será tomada em consideração a conduta do caçador perante situações geradoras de
perigo, designadamente no momento de saltar um ribeiro, passar um caminho atravessar
terrenos perigosos, etc. O concorrente deverá abrir a espingarda, retirar os cartuchos e
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após ter transposto obstáculo deverá certificar-se de que cano está desobstruído antes
de voltar a carregar a espingarda.
d) Será penalizado o concorrente que utilizar a espingarda para desalojar a caça dos
sítios onde ela se encontre refugiada.
e)Será tomada em consideração a conduta do concorrente que localiza uma peça num
terreno de vegetação densa e muito acidentado (terreno difícil) e decide oportunamente
efectuar a sua busca.
f) Será tomada em consideração em relação à espécie que se pretende caçar, a selecção
do tipo de cartucho e espingarda utilizada pelo concorrente.
5 – Espirito desportivo é a conduta do concorrente em relação a cão e à peça de caça,
bem como a forma como efectua a sua apresentação perante o júri.
Para o efeito é necessário ter em consideração as seguintes normas de conduta:
a) é penalizada a conduta do concorrente que depois de ferir uma peça abandona a
sua busca, para abater e cobrar as duas peças desejadas.
b) É considerada a conduta do concorrente perante o júri na descrição da sua
identificação, da espingarda e cão.
c) Será penalizado o concorrente que dispare sobre uma peça de caça, que se
encontre fora do alcance do tiro, ou que se dirija para o público ou para outros
locais considerados perigosos.
d) No final de cada percurso, o júri examinará as condições das peças cobradas por
forma a verificar se estado por efeito do tiro ou pela boca do cão.
6 – No caso de uma peça de caça ter sido ferida por outro concorrente e venha a ser
cobrada pelo conjunto em prova, deverá esta ser entregue ao pessoal de serviço presente
no terreno ou ao júri.
7 – O júri deverá ser cuidadoso na aplicação das normas definidas como técnicas:
a) A colaboração entre o caçador concorrente e o cão.
b) A capacidade de escolha do terreno mais apropriado a um cobro rápido da peça.
c) A observância do máximo silencio durante o percurso por forma a obter uma
melhor aproximação à peça de caça.
8 – Além destas normas que podem considerar-se de máxima utilidade para o êxito do
percurso, o júri deve tomar em consideração as dificuldades técnicas, atmosféricas e a
natureza do terreno seleccionado, para o tipo de caça pretendida.
Valorização do cão
9 – Aspectos de ensino – O júri dispõe de um máximo de 15 pontos para avaliar a
ligação entre caçador e cão, sua obediência, eficácia, regularidade na busca, imobilidade
ao voo e ao tiro relação com a peça e doçura do dente.
10 – Qualidades naturais – O júri dispõe de um máximo de 15 pontos para avaliar a
iniciativa do cão, qualidades inatas da busca e seu estilo dentro do estalão da raça, quer
no que respeita a andamentos, quer na paragem.
A busca e o porte, capacidade de adaptação ao terreno, a sua prudência perante a peça
de caça e a intensidade do seu olfacto, devem ser as características próprias da raça
dentro do estalão.
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Artigo 14º
Parâmetros de avaliação
Com o intuito de evitar grandes discrepâncias entre as diferentes séries, o júri deverá ter
em conta o seguinte quadro de avaliação:
CAÇADOR CÃO
Sobre 50 pontos Sobre 30 pontos
Insuficiente 0-10 0-4
Suficiente 16-29 5-10
Bom 11-15 11-15
Muito Bom 30-40 16-25
Excelente 41-50 26-30
Artigo 15º
Classificação do Campeonato
1 – A classificação atribuída ao concorrente em cada série será convertida e pontos de
campeonato tendo por base o seguinte critério:
1.º Classificado 13
Pontos 2.º Classificado 12
Pontos 3.º Classificado 11
Pontos
4.º Classificado 10
Pontos 5.º Classificado 9
Pontos 6.º Classificado 8
Pontos
7.º Classificado 7
Pontos 8.º Classificado 6
Pontos 9.º Classificado 5
Pontos
10.º Classificado 4
Pontos 11.º Classificado 3
Pontos 12.º Classificado 2
Pontos
13.º Classificado 1
Ponto
2 – As classificações do Campeonato de Portugal de Santo Huberto, serão obtidas pela
soma das melhores pontuações das provas da fase final..
3 – Estão proibidas as classificações ex-equo.
4 – Em caso de empate a preferência será dada ao concorrente que tenha obtido o
melhor resultado na avaliação da conduta como caçador, no conjunto das provas da fase
final.
5 – Persistindo o empate, tomar-se-á em consideração o melhor resultado obtido na
avaliação do cão, no conjunto de todas as provas.
6 – Se o empate persistir, será disputada uma “barrage” para ordenamento dos
concorrentes na grelha de classificação do Campeonato.
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Artigo 16º
Títulos da selecção
1 - Ao conjunto melhor classificado a FENCAÇA reconhece o titulo de Campeão de
Portugal durante esse ano.
2 – Ao conjunto classificado em segundo lugar, a FENCAÇA reconhece o titulo de
Vice-Campeão de Portugal, durante esse ano.
3 – A selecção nacional será composta pelos conjuntos que se classificarem nos dois
primeiros lugares do Campeonato de Portugal.
4 – O disposto no numero anterior não se aplicará sempre que algum dos conjuntos
classificados num dos três primeiros lugares se revelar impedido de participar no
Campeonato do Mundo. Motivo que levará à sua substituição pelo conjunto
imediatamente melhor classificado.
O titulo de Selecção Nacional é atribuído e reconhecido ao grupo que disputar o
respectivo Campeonato do Mundo da modalidade em cada ano.
5 – As Selecções Nacionais representarão Portugal nos Campeonatos do Mundo
organizados sob tutela da FITASC.
6 – As Selecções Nacionais envergarão o equipamento que lhe for indicado em
apresentações, competições e actos oficiais.
7 – Sempre que solicitado, as selecções Nacionais representarão a FENCAÇA em
eventos relacionados com a caça, com o objectivo de divulgar a modalidade e prestigiar
o bom nome da FENCAÇA
Artigo 17º
Prémios obtidos em Campeonatos do Mundo
1 – Os prémios individuais obtidos pelos membros das Selecções Nacionais são
pertença dos respectivos concorrentes.
2 – Os prémios por equipas atribuídos às Selecções Nacionais são propriedade da
FENCAÇA. Estes prémios dever-lhe-ão ser entregues no Encontro Nacional da
FENCAÇA, que anualmente decorre na Expocaça.
Artigo 18º
Omissões
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Eventuais omissões que surjam com a aplicação do presente regulamento serão
resolvidas, em primeira instância, pelo Delegado de Provas e sempre que se revele
necessário, subsidiariamente pelos correspondentes órgãos da FENCAÇA.