quarta-feira, 24 de março de 2010

Politicamente (in)correcto - 17 (afinal quanto custa uma prova?)

Penso que nenhum assunto será mais actual do que este. Afinal quanto custa uma prova?
Motivo de discussões acaloradas, tomadas de posição e algumas fricções, penso que será o momento de reflectir sobre este tema.
Quem por cá anda e faz provas pelo país fora, indaga-se porque os valores das inscrições podem variar entre os 25 e os 50€. Tal não seria tão inexplicável, se o valor não duplicasse.
Ocupando uma posição privilegiada, tenho a óptica do concorrente e do organizador e, assim, vou tentar fazer uma nova abordagem da questão.
Objectivamente, vamos a contas: normalmente temos os custos da alimentação dos concorrentes, das perdizes, das deslocações e alimentação dos juízes e de toda a logística envolvente (almoços dos postores, transportes, prémios, etc). Na alimentação temos de contar com o taco e o almoço. Sem esperar grandes banquetes (porque não deve ser esse objectivo de uma prova), penso que um valor razoável para este item, serão os 15€. Depois temos as perdizes, que normalmente se calculam na média de duas e meia por concorrente. Neste momento, o preço de cada uma, rondará os 9€ (com iva), o que perfaz 22,5€. Sendo assim, 15€+22,5€=37,5€, e ainda não contabilizamos as despesas de deslocação e alimentação de juízes e restantes. Vamos atribuir um valor relativo para estes, dividido por concorrente. Estipulá-mos (por cálculo), mais 8€/concorrente e temos: 37,5€+8€=45,5€. E calma, porque ainda faltam os prémios...
Bom, agora como concorrente: tenho que ter pelo menos um cão. Tenho de lhe dar de comer o ano todo e treiná-lo o mais possível. Tenho de pagar as licenças, as armas, os cartuchos, os seguros, as deslocações, as dormidas (quando as provas são longe), as inscrições, etc, etc... bem, é melhor não pensar muito nisto, senão ainda vou acabar por me dedicar à pesca!
Afinal quanto custa uma prova e porque razão umas custam 25€ e outras 50€, sendo que 50€ quase não cobrem as despesas?
Penso que a resposta passa pelos apoios! Apoios! Esta será a chave para reduzir custos e cativar participantes. Não nos podemos alhear do facto de que, sem patrocínios e apoios, não é possível realizar provas com boa relação preço/qualidade, sendo que provas caras afastam participantes e provas mais baratas chamam mais gente.
Eu sei que neste momento sócio-económico não é fácil arranjar apoios, mas eles nunca nos serão oferecidos, apenas serão dados SE forem solicitados. O mundo funciona na base das contrapartidas. Simplificando: "o que é que eu ganho com isso?". Cabe às organizações criar contrapartidas para que os apoios surjam. Dá trabalho? É "chato" andar a pedir? É! Mas... se fosse fácil toda a gente organizava tudo e o paraíso estava mais perto da nossa porta. Omeletes com ovos são fáceis de se fazer, complicado mesmo é quando estes escasseiam.
As câmaras municipais e as juntas de freguesia têm interesse em divulgar as localidades, fomentarem o turismo, o artesanato e a gastronomia da região. As empresas de rações (por exemplo), têm interesse em divulgar as suas gamas; os armeiros, os produtores da caça, a hotelaria da zona pode aproveitar para se dar a conhecer, etc, etc. Haja imaginação e saber como apresentar o produto.
"Terra onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".
Vamos todos fazer um esforço para que o pouco pão que há seja rentabilizado e bem distribuído. Afinal, organizações, juízes e concorrentes apenas amam esta modalidade. Ninguém espera ganhar o que quer que seja, a não ser satisfação pessoal.
Espero sinceramente que este post sirva de elemento aglutinador e consensual. Não somos assim tantos para nos podermos dar ao luxo de estarmos de costas voltadas uns para os outros.
É nos momentos complicados que se vê a força dos intervenientes e, neste caso, todos nós temos a responsabilidade de empurrar o barco para a frente. E finalmente:
- Se nós podia-mos viver sem o Santo Huberto? Poder, podia-mos, mas não era a mesma coisa!