quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Politicamente (in)correcto - 19 (e agora?)

O fim do ano é propício a retrospectivas e à formulação de votos. Apesar de não gostar muito de falar do passado, sou forçado a repensar aquilo que foi este ano o Santo Huberto e qual será o seu futuro.
Confesso que estou preocupado. Preocupado como devem estar todos os amantes da modalidade que acompanharam a evolução organizativa ao longo de 2010.
O actual figurino do Campeonato Nacional (organização conjunta da CNCP e FENCAÇA), parece irremediavelmente condenado. Infelizmente, disputas de poder e protagonismo, levarão ao fracasso daquela que deveria ser a prova de maior importância a nível nacional. Para os menos atentos, o campeonato deste ano já foi uma autêntica prova de esforço, levado a cabo apenas pela insistência e persistência da sua comissão organizadora que, contra todas as adversidades, conseguiram levar a bom porto a iniciativa.
Então, que futuro podemos esperar para o Santo Huberto em Portugal? Voltaremos a ter dois campeonatos, sendo que apenas um seleccionará os representantes do seu país? Sinceramente espero que não. De tantas enormidades que vejo diariamente, de bom grado dispensava mais esta. Seria um retrocesso e um duro golpe para aqueles que gostam da modalidade.
Urge arranjar um novo método. Quiçá uma nova estrutura dedicada apenas ao Santo Huberto, ainda que tenha (ou possa) de ter representantes das organizações de caçadores. Penso que o caminho terá de ir por aí. Se queremos evoluir a nível da qualidade de organizações e dos praticantes, teremos de dar e ter condições para que a modalidade possua autonomia e dedicação. Uma estrutura exclusiva terá maior preocupação com as condições técnicas em que se realizam as provas, dará maior atenção às necessidades dos praticantes e fomentará mais a divulgação da modalidade.
O tempo de crise financeira que atravessamos não irá facilitar este desafio. Sem verbas não se podem fazer milagres. As estruturas da caça também sentem esse problema e será com muitas dificuldades que se disputará qualquer campeonato em 2011.
É inegável o aumento do número e da qualidade dos participantes verificado nos últimos anos. A prová-lo temos as boas prestações internacionais e não só. Também as organizações melhoraram significativamente, tanto em número como em qualidade, o que reflecte a preocupação em fazer mais e melhor.
Num país tão pequeno, gostaria que as mentes fossem grandes. Gostaria que os homens conseguissem ver para além da ponta do seu nariz. Enfim, gostaria que fosse-mos apenas e só “UM”.
Há muitos atrás (séc. I ou II a.C.), um general romano chamado Gaius Julius Caesar foi nomeado para comandar a campanha Ibérica. A ele é atribuída a seguinte frase: «Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!». Quero acreditar que (pelo menos neste caso), Gaius estaria enganado…
Para terminar, deixo apenas o meu voto: que os Homens se entendam, que consigam colocar de lado os interesses pessoais e dêem ao Santo Huberto a atenção que este merece. Nenhuma estrutura ou pessoa está acima do interesse comum. O “nosso” Santo Huberto, como modalidade, está e estará sempre acima de propósitos menos nobres e mentes mais mesquinhas. Eu estarei por aqui (neste espaço), atento e perseverante dos seus valores. E, como eu costumo dizer: - venham as balas, pois o peito tenho eu!
A todos desejo um GRANDE ano de 2011, repleto de sucessos pessoais e desportivos.