domingo, 1 de maio de 2011

Politicamente (in)correcto - 20 (pedrada no charco)

A tão falada crise também não poupa os amantes do Santo Huberto. Quem por cá anda e contacta com a realidade, tem consciência de que algo está a mudar.
O número de concorrentes diminuiu e nota-se um esforço maior daqueles que teimam em não desistir. As deslocações ficam mais caras, as despesas com cães e armas aumentaram substancialmente e tudo isso, aliado à baixa do poder de compra em geral, compromete a actividade.
As federações de caçadores que eram o grande motor do Santo Huberto, vitimas da quebra dos protocolos anteriormente acordados, por parte do governo, estão descapitalizadas e em falência técnica. Apenas com grande esforço dos seus dirigentes se conseguem manter em funcionamento, mesmo após algumas terem sido já obrigadas a dispensar técnicos e outro pessoal administrativo.
O tão falado Simplex apenas simplificou a forma como os caçadores se viram privados daquilo a que, sendo deles, tinham direito. Os caçadores não precisam de subsídios, precisam apenas que o SEU dinheiro, pago em licenças e taxas, seja aplicado na caça e nas suas actividades, como o Santo Huberto.
Não queremos esmolas, queremos respeito!
Não pretendendo com isto fazer politica, pois não é esse o meu objectivo, quero apenas aqui denunciar a forma como vejo este meu querido desporto definhar. Até quando vamos conseguir aguentar um barco que mete água por vários buracos? Até quando vamos conseguir fazer das tripas coração, quando não tarde nada, nem tripas temos?
Para os menos informados, a fase final da Taça de CNCP esteve (se é que não está), em sério risco de não se realizar. Foi por esse motivo que se verificou algum atraso no arranque dos campeonatos regionais, uma vez que ninguém tinha a certeza se valeria ou não a pena (por mim valeria sempre a pena!). A realidade é que apesar de os respectivos campeonatos terem arrancado, ainda subsistem algumas dúvidas e indefinições quanto ao seu objectivo. A actual situação do (des)governo não augura nada de bom (e eu costumo ser optimista…).
O Campeonato Nacional, organizado pela FENCAÇA e CNCP, também não está em melhores lençóis, uma vez que todas as OSC estão com o mesmo tipo de problemas financeiros. E casa onde não há pão...
Assim, algo terá de mudar. Não de acabar! É necessário fazerem-se adaptações que até poderão beneficiar a orgânica das provas.

A prova de maior importância deverá ser sempre o Campeonato Nacional. Não me interessa quem organiza o quê. Deixo isso para quem se quiser, ou não, entender…
Sendo a prova que dá acesso a uma competição internacional como é o Campeonato do Mundo, deve ser também aquela a quem deve ser dada a maior importância.
Nesse capítulo almejo um calendário feito a tempo e horas, tendo em atenção as zonas do país, a climatologia e a sua articulação com a final do Campeonato do Mundo. O actual figurino parece-me ambicioso demais em termos económicos. Fazer uma prova por cada região cinegética é muito oneroso e obriga a uma repartição de recursos que não se coaduna com a actual situação. Relembro que o ano passado se realizaram nove provas de apuramento! Assim, preconizo existirem apenas cinco zonas e consequentemente cinco provas. Essas zonas, tendo em conta a divisão distrital, seriam três no continente e uma em cada região autónoma.
A saber:

ZONA 1 - Viana do Castelo, Porto, Braga, Vila Real, Bragança, Aveiro

ZONA 2 - Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Santarém

ZONA 3 - Lisboa, Portalegre, Évora, Setúbal, Évora, Beja , Faro

ZONA 4 - Açores

ZONA 5 - Madeira




Manter-se-ia a fórmula de apuramento habitual, de 1 concorrente por cada 5 inscritos.
Penso que assim se rentabilizariam os recursos e seria, porventura, mais fácil de se encontrarem apoios de entidades publicas ou privadas, que minimizariam os custos.





A outra grande competição é a Taça da CNCP que, para além dos seus confirmados pergaminhos, ainda será aquela que movimenta uma maior quantidade de participantes. Esta não precisaria de grandes alterações, pois o actual figurino revela-se equilibrado e justo, tendo eu apenas algumas reservas quanto à orgânica da fase final.
É minha convicção que a forma como se tem procedido à final desta competição tem, quiçá, uma vertente demasiado social e menos desportiva. Penso que dar mais ênfase à parte desportiva (sendo esta a que mais deve interessar), vai reduzir custos e elevar o nível e a qualidade competitiva.
Tenho consciência que estas finais, conjuntas com o tiro desportivo, eram uma reunião da família da CNCP, contudo temos de ser realistas e objectivos: hoje em dia não há suporte financeiro para continuar a fazer as coisas como antigamente. Por muito que nos custe admitir, é tempo de acordar! Meter a cabeça na areia e esperar que as coisas se resolvam não vai ajudar, nem resolver nada! Corremos o risco de acabar com esta Taça que nos é tão querida.
Assim preconizo: manter a actual forma de apuramento a cargo das federações. A final, que continuaria a cargo de uma federação de forma rotativa, funcionaria como a final do Campeonato Nacional, onde os concorrentes seriam apenas os do Santo Huberto (sem o Tiro), cada federação seria responsável economicamente pelos membros que constituem a sua delegação e cada concorrente seria responsável pelos acompanhantes que levasse. O alojamento de cada delegação ficaria a cargo da sua federação, sendo que as refeições “comunitárias”, ou não, seriam também a imputar a cada federação responsável. As contas seriam fáceis de fazer a partir do momento que fosse estipulado um preço per capita .
As verbas necessárias para as despesas com juízes, pássaros e outras despesas de representação ficariam a cargo da CNCP.

Talvez estas ideias sejam controversas, principalmente à luz daquilo que se tem feito até aqui, mas as coisas mudaram e já não voltarão a ser como dantes.
É tempo de acordar para a realidade. Ou nos adaptamos ou morremos e para não corrermos o risco de assistirmos à morte lenta deste nosso desporto, está na hora de se tomarem decisões ousadas e inovadoras.

"Toda a verdade inédita começa como heresia e acaba como ortodoxia."

(Thomas Huxley)