terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Politicamente in(correcto) - 21 (o Rei vai nu)

O Rei vai (cada vez mais) nu! Agora só não vê quem não quer, ou quem teime em
enterrar a cabeça na areia.
Estou preocupado com a modalidade. A actual conjuntura, juntamente com erros do
passado, fará que 2012 seja um ano muito difícil para o Santo Huberto. Este poderá
mesmo ditar o fim da modalidade, tal como a conhecemos nos últimos anos.
As entidades oficiais, CNCP e FENCAÇA, em lenta agonia financeira, apenas resistem
para ver quem será a última a capitular. Será ainda este sentimento mórbido que as
aguenta em pé… “Guerrinhas de quintal” desacreditaram estes líderes perante a tutela.
Pior ainda, desacreditaram-se perante os seus pares!
A falta de força institucional e de negociação, fez com que as verbas pagas pelos
caçadores em licenças e taxas, deixassem de ter o retorno desejado e fossem aplicadas
nas actividades relacionadas com a caça. Estruturas (OSC) demasiadamente pesadas e
onerosas, conjugadas com vaidades pessoais (que apenas geram desentendimentos e
desunião), ditaram o actual cenário. A crise que o país atravessa explica muita
coisa, mas não explica tudo. Poder-se-ia ter feito melhor!
Na final do campeonato nacional de 2011, o presidente da FENCAÇA no seu discurso
de encerramento, foi claro: para o ano muito dificilmente haverá campeonato nacional.
Não comentando a oportunidade do anúncio (diga-se de passagem infeliz), é verdade
que arrisco a afirmar que em 2012 não haverá campeonato, pelo menos nos moldes
actuais. Começará, com certeza, pelo divórcio definitivo entre as entidades CNCP e
FENCAÇA, que apenas não se confirmou antes por carolice e teimosia da comissão
organizadora. Essa comissão terminou a sua actividade e será agora a FENCAÇA a
organizar sozinha (segundo informações credíveis a que tive acesso). Será que
voltaremos ao antigamente? O campeonato nacional vai-se cingir novamente a apenas
um fim-de-semana no Ciborro? Sinceramente custa-me andar de cavalo para burro.
A Taça da CNCP, alicerçada nas várias federações que a compõem, é aquela que
movimenta mais praticantes e cujo modelo assegura uma maior verdade desportiva, mas
terá também grande dificuldade em se realizar. As federações estão descapitalizadas,
sem meios de subsistência e no actual panorama não me parece fácil arranjar apoios e
patrocínios.
Restarão as organizações particulares que poderão dar um certo alento na organização
de provas, quiçá inseridas em feiras de caça e/ou outros eventos relacionados ou, ainda,
com os denominados troféus.
Então e agora? Agora, teremos de saber dar a volta por cima. Neste momento não
adianta lamentarmos o que podia ter sido feito e não foi. Temos de nós, os praticantes
do Santo Huberto, juntamente com os juízes e aqueles dirigentes que se identifiquem
com este espírito, tentarmos através da conjugação de esforços ultrapassar estas
dificuldades.
Penso que seria muito útil a formação de uma estrutura exclusivamente dedicada à
modalidade. Já vai sendo tempo de o Santo Huberto estar ao cuidado de quem dele
gosta e não de quem apenas tem essa obrigação por inerência de cargo. Chamem-lhe
associação, federação ou outra coisa qualquer, mas que seja apenas daqueles que
realmente se importam e o querem levar para frente.
Nesta altura do ano é normal formularem-se votos. Pois então, não fugindo à regra,
gostaria de ver realizado em 2012, o I Congresso de Santo Huberto. Aberto a praticantes,
juízes, dirigentes das OSC, tutela e outros interessados, poderíamos, todos juntos,
identificar os problemas e tentar encontrar as tão desejadas soluções.
Em milagres não acredito, mas acredito no bom senso e que ainda haverá pessoas de
bem. Não nos esqueçamos dos pergaminhos internacionais que esta modalidade já
alcançou e dos títulos que conquistou para Portugal!
Temos de ter a abertura necessária para colocar de lado as nossas diferenças, as
eventuais lutas de poder e tentar levar a bom porto esta nau que se chama: Santo
Huberto.