quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano novo, vida nova?


Aí está o ano de 2014! Com a sua entrada faz cinco anos que iniciei este espaço. Esta foi a primeira prova que anunciei: "Prova de S.Huberto, Macedo de Cavaleiros".
Durante estes anos assisti a muitos bons e maus momentos para a modalidade, à passagem de muitos bons e maus dirigentes, a muitas promessas e declarações de intenções sem consequência e ao aparecimento e desaparecimento de muitos concorrentes e aficionados. É sobre estes, e as suas razões, que queria reflectir neste momento.
É com tristeza e apreensão, que constato que muitos dos concorrentes que faziam parte do "círculo" do Santo Huberto de há 7-8 anos atrás, foram deixando de aparecer, até que desistiram mesmo. Haverão muitas e variadas razões para tal. A vida não está fácil para ninguém. Desde logo para o principal motor organizativo, as federações. Após o colapso financeiro, mais recente, das federações de caçadores, o Santo Huberto sofreu um rude golpe em termos de organização de provas e de campeonato. É incontornável. Depois, o custo das deslocações que cada vez é maior. Acrescentam-se todas as despesas associadas à manutenção e treino dos cães. A única coisa que ainda se mantem (e até baixou em alguns casos), é o valor das inscrições. Em boa hora, quem organiza, entendeu que seria esta a via mais adequada para não afastar ainda mais os participantes.
O numero de provas tem vindo a diminuir de ano para ano. Há federações que já deixaram de organizar os seus campeonatos regionais e até a própria CNCP só organizou as duas últimas taças à custa da vontade, carolice e obstinação de meia dúzia de aficionados que se recusam a assistir à morte lenta deste nosso desporto. Apenas com o empenho de todos, concorrentes, juízes, entidades oficiais, organizadores e produtores de caça, será possível manter algo que nos é tão querido.
Estive recentemente a assistir ao campeonato do Mundo de Santo Huberto, na Croácia, e pude constatar que o nosso nível é muito grande comparado com outros países. Nós, que por vezes cultivámos de forma comiserada a nossa pequenês como país, temos a obrigação de saber que, no Santo Huberto, somos e estamos entre os melhores do mundo! Teremos também a obrigação de o fazer saber a quem de direito!
Como é habitual nesta época do ano, é normal fazer-se votos e formular desejos. Não fugirei à regra. Também não gosto de pedir muito, para não correr o risco de não ser atendido. Quero apenas que a vontade daqueles de quem, nos últimos anos, tem dependido o Santo Huberto em Portugal, continue a fazer-se sobrepôr a todas as adversidades, contratempos, má vontades e, até, ignorância. Será desses, nos quais me quero incluír, que dependerá que 2014 não seja um ano em que se assista a mais do mesmo, ou seja, menos provas, menos concorrentes e menos Santo Huberto.

Desejo a todos um grande ano de 2014.

Até Macedo de Cavaleiros!