quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sou culpado! Confesso.

Podem-me punir!




Fiz a minha primeira prova de Santo Huberto no dia 30 de Abril, de 1994, nos Arcos de Valdevez. Há precisamente 21 anos.
Vi o anúncio num armeiro, aqui do Porto, e (na hora!), decidi participar. Não conhecia o regulamento, nem nunca tinha visto uma. 
Ainda hoje me lembro de cada minuto daquela prova...






Depois dessa fiz mais algumas, mas a minha  profissão, e o ter de trabalhar aos fins de semana, acabou por me afastar da modalidade durante uns anos.
Regressei há cerca de dez anos atrás, fruto de um problema de saúde, que me "obrigou" a ter tempo para tudo. E, quando o destino parecia querer afastar-me cada vez mais de um dos grandes amores da minha vida (a caça), heis que foram precisamente os cães que me "obrigaram" a voltar a "viver" novamente o Santo Huberto. Estou cá por eles!
Romântismos à parte, um vintém, é um vintém e uma paixão, é uma paixão. 

Serve este interlúdio para antecipar uma análise que, no dia de hoje, quero fazer. 
Nunca devemos confundir amor, com posse. Não será pelo facto de gostar muito de alguma coisa, que isso me dará direitos de propriedade. Dito isto, vou tentar fazer uma análise objectiva e o mais isenta possível.
Talvez deva começar com um mea-culpa: sou culpado por gostar, sou culpado por estar presente num grande numero de provas, sou culpado por defendê-lo em público, sou culpado por o divulgar, mas não serei culpado por o ver ser amesquinhado na sua essência.
O Santo Huberto já terá vivido melhores dias? Presumo que sim. Pelo menos no que diz respeito ao  numero de participantes.
E a sua qualidade? Aí, deixem-me que vos diga que, hoje em dia, a acho superior. Contráriamente à opinião de alguns, penso que, no compto geral, a qualidade dos conjuntos é muito melhor agora do que era há alguns anos atrás.
Haverá provas a mais? Também não me parece. Nunca fui obrigado a ir a qualquer prova. Vou aquelas que me apetece e posso. Quanto mais opções houver, mais se destacarão as boas organizações. A escolha pertencerá, em última análise, aos concorrentes.
Há muitas coisas que estão erradas, que poderão e deverão ser alteradas e melhoradas? Com toda a certeza.

Uma coisa é certa, o Santo Huberto, ao longo dos anos, já serviu para muita coisa. Até como arma de arremesso entre instituíções que tinham (e têm), outros assuntos mal resolvidos. São as mesmas que devem estar na primeira fila dos defensores da modalidade, pois se tratando de uma prova de caça, devem ser os caçadores e as suas organizações sectoriais a zelar por ele.
A mim pouco me interessa quem organiza, o quê. Interessa, sim, a forma como o faz! O rigor, a competência, a honestidade e a elevação. Não basta fazer, há que fazer bem!
Estamos a falar de uma modalidade na qual Portugal é uma referência mundial. Negá-lo, ou denegri-lo, não é correcto. Também esquecê-lo será desonesto.
Numa altura em que tanto se discute o futuro do Santo Huberto em Portugal, quero apenas lembrar um pequeno (grande!) pormenor: discutam o que quiserem, assumam os protagonismos necessários, porém... não se esqueçam que, sem os praticantes nenhum projecto chegará longe. Não excluam da discussão a opinião daqueles que dão vida ao Santo Huberto. Arriscam-se a ter grandes "estádios", boas equipas de arbitragem, bancadas cheias de público, mas... com  falta de comparência dos "jogadores"!
Penso que o futuro não deverá passar por aí. E, se juntos já somos poucos, desunidos seremos irrelevantes.

Saudações Santo Hubertistas.