sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sermão de Santo Huberto aos peixes


Meus caros peixes, ainda bem que me ouvis. Vós, que tantas vezes sois acusados de seres limitados na vossa memória, pensai desta vez para além desta linhas.
Eu sou o padroeiro dos caçadores. Além disso, o meu nome foi adoptado para nomear uma "forma de estar" na caça enquanto disciplina desportiva: as provas de Santo Huberto.

Confesso que estou triste (e até zangado), com os homens. Como bem sabeis, tenho como preocupação: promover o espírito desportivo do caçador, formá-lo na correta prática do acto cinegético, tendo em consideração os aspectos técnicos, legais e cívicos, a função e utilização do cão de parar, num quadro de respeito pela Natureza e pela ecologia. 
Eu, não querendo parecer imodesto, até acho que essa postura poderia, e deveria, ser um credo para o nosso dia a dia de caçadores. Então, questionai-vos com certeza, porque estou tão preocupado? Muito bem, meus caros peixes, estou preocupado com alguns homens que "me" tutelam.

Será que uma actividade com estes predicados e objectivos não merece melhor atenção e consideração? Será que corremos até o risco de ser considerados oportunistas? Oportunistas... quando pagamos para fazer aquilo que tanto gostamos!
Meus caros peixes, eu sei que estais de boca aberta, mas vamos com calma. É nestes momentos que temos de ter calma. Mas ter calma, não significa estar desatento, nem, tão pouco, ser subserviente. 

Não sei para onde vamos, mas sei que não queremos ir por aí. Será talvez chegado o momento de olharmos para o futuro de outra perspectiva. Tenho a certeza que encontraremos o "nosso" caminho. 
Por vezes mais vale ir pelas as pedras, do que seguir periclitantes por um carreiro.