quarta-feira, 30 de maio de 2018

Qual é o espírito das provas de Santo Huberto?



Aqui está uma pergunta simples, concreta e objectiva. Alguém quer avançar com uma resposta?
Antes de continuar a escrever esta publicação, devo fazer uma declaração de interesses: "sou suspeito", e adoro isso!

Dito isto, há certas coisas que me causam "comichão". Uma delas são aquelas pessoas (pelo menos algumas e até com responsabilidades), que mesmo depois de andarem há tantos anos por aqui, ainda não conseguiram entender a diferença entre uma prova de Santo Huberto e uma prova de trabalho para Cães de Parar. Questiono-me, amiúde, se essas pessoas ao fim de todo esse tempo ainda não conseguiram arranjar tempo para ler o regulamento das provas de Santo Huberto. Sim, porque caso não saibam, existe um REGULAMENTO!

A disciplina de Santo Huberto é uma Prova de Caça. Ponto! Não é uma prova de trabalho para Cães de Parar. A prová-lo está a pontuação atribuída a cada um dos seus intervenientes. Caçador: 50 pontos, Cão: 30 pontos. 
Se, só por si, isto não fosse uma boa pista, haveria ainda que considerar o seguinte: "(...) promover o espírito desportivo do caçador, formá-lo na correta prática do acto cinegético, tendo em consideração os aspectos técnicos, legais e cívicos, a função e utilização do cão de parar, num quadro de respeito pela Natureza e pela ecologia.". 
Deveria tal menção servir não só para para entender o seu verdadeiro espírito, mas também para algo não menos importante que é o convívio que deve existir entre caçadores (amigos) e a partilha dos momentos que antecedem e precedem uma prova deste género. Assim se reveste de particular importância que nas provas de Santo Huberto o pequeno almoço e o almoço façam parte e estejam até incluídas nas próprias inscrições. Nada é por acaso! 

Imagino que todos vocês sejam caçadores. Conseguem conceber uma jornada de caça com os vossos companheiros de grupo, onde apenas se encontrem antes de começar a caçada e se separem quando acabar o acto de caça em si? Sem a partilha do tradicional mata bicho, da bucha a meio da manhã, do almocinho (seja lá onde ele for) e seguido da merenda antes de cada um abalar para casa? Do convívio, das tradicionais brincadeiras e gargalhadas com os falhanços dos outros e de se reviverem os lances do dia? Eu não!

Uma prova de Santo Huberto (no meu entendimento), vai muito para além daqueles 15 minutos em que todos queremos superar os nossos adversários. Para mim começam quando saio de casa e entro no carro e apenas acabam quando saio do meu carro e entro em casa.
Uma prova de Santo Huberto não é uma prova de Caça Prática onde o condutor é o atirador. É muito mais do que isso. Querer adulterar o seu espírito (e os seus objectivos), é eutanasiar  uma actividade que deveria ser agregante e nunca dispersante. Algo que deveria servir para educar cívicamente e formar caracteres. Talvez por isso, até tantas vezes, nos associamos a causas sociais e fazemos dos seus problemas a nossa batalha, contribuindo com as receitas e donativos angariados nas provas.

Respeito todas as formas de estar na caça e no "meio" dos cães. Até aceito que me chamem de purista, sonhador, ou mesmo radical,  mas por favor: respeitem o espírito com que foram criadas as provas de Santo Huberto. Afinal,  até está patente no seu regulamento...