segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Status quo

Este Blogue encontra-se sem actualizações




Após uma longa reflexão e na ausência de feedback por parte daqueles a quem tentei dar voz e para quem este espaço foi criado, decidi suspender as actualizações e as publicações do Blogue Santo Huberto.

Costuma-se dizer que "quem está mal muda-se" e como, aparentemente, só eu é que estou "mal", até que haja algum motivo que contrarie a minha percepção da forma como a modalidade irá ser conduzida num futuro próximo, este blogue manter-se-à apenas como arquivo do que foi acontecendo nos últimos 10 anos em Portugal.



Agradeço a todos aqueles que, ao longo desse tempo, me prestigiaram com a sua visita e tiveram a paciência de ler os meus textos.
Saudações santo-hubertistas e, como diz o outro, a gente vê-se por aí.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Santo Huberto - RX da modalidade em Portugal




Ao longo da sua história, o Santo Huberto sempre foi tutelado pelas federações de caça. Nem sempre bem tratado, muitas vezes usado como arma de arremesso em guerras que não deveriam ser suas, lá se foi arrastando ao longo dos anos até ao presente momento.
Sei que esta minha publicação não vai agradar a muito boa gente. Mexer com interesses instalados e nos limites de certos "quintalinhos", vai fazer com que muitos se sintam ameaçados. Mas, será que a modalidade merece continuar paulatinamente a caminho do marasmo total?

Existem duas OSC do 1º nível que organizam, cada uma, um Campeonato Nacional. Qualquer leigo na matéria, mas que tenha algum bom censo desportivo, achará estranho que num país como o nosso (ou em qualquer outro), existam dois campeonatos nacionais. Um país tão pequeno e com uma dúzia de praticantes, consegue ter dois campeões nacionais da mesma modalidade. Mais inexplicável será se constatarmos que os concorrentes são sempre os mesmos, seja qual for a organização.

A Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP), é uma das entidades que organiza um dos Campeonatos Nacionais. Tem a seu favor conseguir movimentar e organizar um vasto calendário de provas ao longo do ano, levadas a efeito pelas federações regionais suas associadas. Cada uma organiza o seu Campeonato Regional, servindo este para seleccionar os três representantes dessa federação na final nacional. Em média é responsável directamente, ou indirectamente, pela organização de 25 provas anuais, distribuídas por todo o território continental e ilhas. É, sem duvida, um grande motor de promoção da modalidade.
Na minha modesta opinião (e vale o que vale), o actual modelo/regulamento do campeonato da CNCP está desajustado da presente realidade, uma vez que das nove federações originais que a compunham, apenas seis estão activas em termos de Santo Huberto e, no caso das regiões autónomas, só este ano conseguiram organizar provas de selecção na Madeira.
Acho que seria bom repensar o formato do campeonato e organizá-lo, na sua fase regional, em termos de regiões geográficas, onde, em cada uma delas, essa organização ficaria a cargo das federações inseridas na sua área de influência. Teríamos, assim, Portugal continental dividido em três regiões, norte, centro e sul, com mais duas das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. A formula de apuramento teria de ser ajustada ao numero de concorrentes, ficando assegurado que na Final Nacional estariam presentes um máximo da 30 finalistas. A meu ver haveria uma maior representatividade nacional e uma melhor equidade de acesso à final.

A Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA), é quem tem vindo a seleccionar os representantes portugueses para o Campeonato do Mundo e, talvez por isso, é aquela que menos provas organiza ao longo do ano. Também na minha modesta opinião, acho que essa exclusividade (que ainda ninguém me conseguiu explicar o porquê), leva a que esteja "confortavelmente" sentada à sombra, sabendo de antemão que quem tiver aspirações a ir ao CM, terá de passar por ela.
Como em tudo na vida, a exclusividade leva ao pouco investimento, uma vez que os "clientes" estão certos. Para referência, a Fencaça aqui no continente organiza apenas 4 provas de apuramento. Para uma entidade que tem tão alta responsabilidade, exigia-se muito mais. Tanto em quantidade, como em qualidade. Deveria servir para reflexão dos seus responsáveis que, há alguns anos atrás eram seleccionados 1 em cada 5 concorrentes por região, sendo que agora já é 1 por cada 3... Sou do tempo em que as fases de apuramento para o CN eram feitas por regiões cinegéticas; movimentava um grande numero de participantes e elevava o seu nível de qualidade.
Grande "poder" deve ser acompanhado de grande responsabilidade. Talvez a Fencaça se devesse empenhar mais com o Santo Huberto e não se limitasse apenas a cumprir um calendário básico.

Por último, mas não menos importante, devo reflectir sobre o papel dos concorrentes. Acho que é pacífico se disser que sem eles nada disto faz sentido. Termino, por isso, com uma pergunta: - Porque motivo nunca são ouvidos pelas entidades supracitadas? Ou, se são, é sempre a título individual e particular, o que apenas se conjuga para, eventualmente, poder servir outros interesses.

Correndo o risco de ser considerado inconveniente ou persona non grata, este é "o meu" RX do estado do Santo Huberto em Portugal. Como disse anteriormente, sendo a minha opinião pessoal, vale o que vale, mas uma coisa é certa, enquanto continuarmos todos calados, fazendo de conta que está tudo bem, nunca conseguiremos alterar nada.

Saudações Santo-hubertistas
Rui Bonito